• João Escapelato

Copel desenvolve sistema de controle na distribuição de energia

Projeto pode ser a porta de entrada para controlar o despacho da energia excedente produzida para a rede da distribuidora e, com isso, gerar créditos para microgeradores de energia

Um projeto-piloto desenvolvido pela Copel pode ser a porta de entrada para viabilizar uma das grandes vantagens da geração distribuída (GD) de energia no Paraná: controlar o despacho da energia excedente produzida para a rede da distribuidora e, com isso, gerar créditos para microgeradores. 


Isso seria possível graças a um sistema que permite à Copel fazer o controle da potência de geração de forma remota. O sistema está sendo testado em dois prédios da companhia onde há painéis fotovoltaicos instalados. 


O intercâmbio de energia com as distribuidoras por microgeradores já é praticado em diversos países, com regras próprias para a conexão e entrega da energia. 


Os acessantes de geração distribuída produzem o que consomem e o que sobra vai para a rede, transformando-se em crédito. Quando a geração própria não produz o suficiente, eles usam a energia da distribuidora, abatendo a energia já creditada. Entretanto, no Brasil, essa realidade ainda angaria soluções para se desenvolver. 


Nos últimos anos, o País vem experimentando incremento no número de unidades consumidoras com geração própria de energia. Somente no Paraná, já são quase 25 mil acessantes de geração distribuída espalhados por todas as regiões. São consumidores que investiram em um sistema de geração em suas casas, comércios ou indústrias, e que em muitos casos produzem mais energia do que consomem. 


De acordo com o engenheiro eletricista Zeno Nadal, do Departamento de Projetos Especiais da Copel, no entanto, ainda não há no País uma forma de controle direto sobre os sistemas, mesmo já havendo normatização a respeito. 


“São sistemas que atuam internamente, apenas. E é aí que entramos, com uma solução que faça essa comunicação conosco, nos permitindo dar comandos externos. E o gerador será remunerado por permitir o controle desse equipamento pela distribuidora”, resume Nadal.


O sistema é resultado do projeto de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) Controle de Despacho de Microgeração Distribuída, iniciado em 2013, em parceria com o Lactec. Por meio dele, companhia desenvolveu um equipamento, batizado de Control Box, que faz a interface entre o sistema de geração distribuída e a concessionária de energia.


Ele se comunica com o inversor solar do gerador e permite à distribuidora controlar essa “conversa” pelo mesmo sistema de comunicação usado pelos medidores inteligentes. O inversor solar é o equipamento que converte a energia gerada pelos painéis fotovoltaicos para ser usada em casa, e o medidor inteligente é o que captura as leituras do consumo de energia, comunicando-se digitalmente com a distribuidora, em tempo real. 


O controle das unidades geradoras se dá por meio de um algoritmo local, com comandos enviados a partir de um centro de despacho na concessionária.  


“O consumidor sequer vai sentir esse comando, e ainda terá a compensação financeira. E a distribuidora se beneficia da possibilidade de utilizar a energia reativa gerada pelos sistemas distribuídos, tradicionalmente demandada das usinas convencionais, a partir de fontes mais próximas”, explica o engenheiro. 


Outra vantagem do projeto, acrescenta Nadal, é que poderá ajudar as concessionárias a mitigar problemas decorrentes da aplicação massiva de geração distribuída.


Integrado a um sistema de gerenciamento da rede, no caso da Copel, o ADMS – Advanced Distribution Management System, em implantação desde 2018 – o controle permite evitar, por exemplo, as sobretensões causadas em locais onde há mais geração do que consumo.


Com AEN

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